bistrô na toca

Localização  Mapu, Patagônia Chilena

Mostra Virtual  Casa Na Toca 2021

Projeto de Arquitetura AIA Estúdio + Linha Arquitetura + Idipi

Parcerias Arquivo Contemporâneo, Lá em Casa, Arm Marcenaria, PetLamp

Imagens 3D studio oito

Com a pandemia, o conceito de refúgio tomou uma dimensão inédita em nossas vidas. Em busca de isolamento muitas vezes recorremos a locais ermos, no sentido figurado e literal, para nos proteger. Nestes novos e mais amplos espaços físicos e mentais, rompemos com o cotidiano caótico da urbe e nos reconectamos de forma inédita com a natureza e com nós mesmos, através da redescoberta de práticas primordiais e ao ritmo de um novo compasso temporal. Caminhar, colher, cozinhar, conservar, congregar. Atos e gestos antes automáticos e impensados passam a ser mais reflexivos e pausados, quase uma forma de meditação.  Neste cenário, os encontros, sejam eles em torno do fogo ou de um prato compartilhado, são apreciados com maior intensidade.

Nosso projeto tem como objetivo imaginar um bistrô em tal espaço em que se conjuga refúgio e ao mesmo tempo conexão em torno de atividades simples e arraigadas na terra e no emprego das mãos. O cenário da Patagônia chilena denota de forma plena um modo de vida remoto e requer uma arquitetura centrada na necessidade da autossuficiência através de práticas como a extração de frutos da natureza, no lavoro da terra rochosa, na cozinha, na conserva e na compostagem. A convivialidade de fato se dá em torno destas atividades, todas elas integradas como parte de um único fluxo. Neste sentido, o bistrô não se restringe à estufa onde se localizam os principais equipamentos e espaço para abrigo, mas se integra ao seu entorno. Refúgios gastronômicos localizados em outros "meios do nada" e "fins do mundo", como Faviken de Magnus Nilssen, serviram de inspiração. Neles cozinhar, colher e congregar significa também aprender a conviver com a natureza bruta e rústica serviram de inspiração. Comensais são instados a explorar os caminhos, a colher na horta, a participar da processo de feitura de conservas e finalmente; o serviço pode ocorrer no balcão no interior ou ao redor de um fogo utilizado para cocção.  Tudo depende do tempo e da natureza.

 

Os materiais que elegemos buscam dialogar com a natureza e terreno, mas buscamos também trazer elementos e texturas que pudessem "amolecer" e criar uma atmosfera de intimidade e conforto de modo que a vastidão da natureza pudesse ser conciliada com os atos íntimos de receber, acolher e alimentar.

Iniciamos o projeto estudando os vazios e o volume existentes no local e pesquisando o que é usado na região. A construção destinada a estufa foi usada para produção do bistrô, com bancadas e estantes para armazenar utensílios e alimentos. Uma grande bancada foi desenhada onde teremos o fogão e 8 lugares para sentar, para receber algumas pessoas de forma íntima, como se fosse a cozinha de casa.

 

 

Nos círculos vazios do terreno posicionamos um espaço para fogueira, cercado por um banco, compreendendo que o fogo neste cenário possui a função de agregar, reunindo as pessoas para se protegerem do frio ou para preparar alimentos, pois o fogo aquece e alimenta.

Os vazios destinados à horta foram respeitados e neles teremos a horta do bistrô, os alimentos podem ser colhidos e preparados na hora.

Na área externa temos também uma mesa grande em pedra contornando uma árvore.

Para complementar o projeto acrescentamos um volume para o banheiro e para uma bancada com tanque, um apoio para lavar os alimentos e separar o lixo orgânico para compostagem. Esse volume será construído em aço e revestido com chapa perfurada.